Fomos todos romaria em tempo de coronavirus

Fomos todos romaria em tempo de coronavirus, uns em casa, outros na rua, uns virtuais, outros na lua. Entre a realidade do confinamento e o confinamento do virtual, alguma coisa foi feita e outra ficou por fazer. Do feito algo foi notada, do não notado apagado!

Muita coisa andou em turbilhão no emaranhado dos meus neurónios. Fica para memória futura, se na futura viajem, e este passado me inspirar a arrumar ideias, porque há coisas que só a seu tempo devem vir a lume, preservando a surpresa nas prateleiras da coleção das coisas que guardo para o momento oportuno, antes que alguém se aproprie do pensamento com a ganancia da originalidade genial.

KODAK 3A Model B4 de 1908

Experimentar, testar, ensaiar papeis fotossensíveis diferentes com a KODAK 3A MODEL B4 de 1908 a fotografar em 2019.

O resultado de testes bem sucedidos e outros nem por isso, ficam presentes neste artigo até próxima oportunidade.

Muito se poderia escrever relativamente a cada registo, mas ficam apenas as imagens para contemplação, com uma legenda sucinta.

KODAK 3A MODEL B4 de 1908
KODAK 3A MODEL B4 de 1908 – Ensaio para testar velocidades de obturador.
kodak-3a-model-b4-de-1908-2
kodak-3a-model-b4-de-1908-2 – Ensaio para teste de velocidade do obturador. Imagem subexposta. Igreja de Nossa Senhora D’Agonia, em Viana do Castelo.

Três resultados de testes de fotografias com papéis de diferentes qualidade, com muitos anos, aparentemente bem conservados, e que permitiram obter os resultados que a seguir se apresenta, de um trecho de arquitectura do antigo edifício da Associação Industrial do Minho, em Viana do Castelo. Os papeis, depois de digitalizados, apresentam a presença de fungos e microorganismos que deixam marcas quase invisíveis no papel, mas que uma digitalização com profundidade de cor deixa transparecer, quando ampliada a imagem original. Nestes espécimenes, não são perceptíveis dada a elevada taxa de compactação.

PAISAGEM KODAK 3A MODEL B4

Teste de paisagem KODAK 3A Model B4 de 1908.

E os ensaios continuam com a KODAK 3A Model B4 de 1908, e já lá vão mais de 110 anos. Diferentes tipos de papeis dão origem a diferentes resultados, mas com a garantia de que a persistência trás resultados positivos. Sem rolos de negativos para esta câmara, há que testar outros suportes, tal como os papeis fotossensíveis.

Cada teste é uma aventura, já que para cada fotografia existe um ritual que foi optimizado com um acessório para colocação do papel fotográfico. E o ritual segue os seguintes procedimentos, depois da preparação dos banhos de todo o processo de revelação :

  • Acender a iluminação de segurança;
  • Apagam-se as iluminações;
  • Garantir que o compartimento esteja bem fechado e ventilado;
  • Retirar o papel do invólucro;
  • Cortar o papel à medida da zona de suporte;
  • Colocar o papel no suporte da câmara;
  • Fechar a câmara;
  • Sair do laboratórios;
  • Procurar um motivo;
  • Verificar a velocidade do obturador;
  • Verificar a abertura do diafragma;
  • Ajustar a distância focal;
  • Estabilizar a câmara;
  • Fazer o enquadramento;
  • Estudar a velocidade do obturador central;
  • Pressionar a alavanca do obturador;
  • Regressar ao laboratório;
  • Verificar a iluminação e estanquidade;
  • Abrir a câmara fotográfica;
  • Retirar o papel exposto;
  • Colocar no banho de revelação e esperar o tempo adequado;
  • Passar para o banho de paragem o tempo adequado;
  • Passar para o banho de fixação o tempo adequado;
  • Terminar o processo de revelação com a lavagem em água corrente durante o tempo adequado;
  • Proceder à escorrência da água em excesso com a pinça própria;
  • Colocar a secar em local livre de humidade e poeiras e esperar o tempo adequado.

Tudo isto para se obter uma imagem de composição invertida e que é o negativo da realidade, podendo demorar o processo para cada fotografia, cerca de 15 a 30 minutos.

Posteriormente pode obter-se o positivo através de processo analógico que passa por parte do processo anteriormente descrito, ou então, com recurso a software de tratamento de imagem e depois de digitalizada por equipamento desenvolvido para fotografia, faz-se a produção do positivo. Este processo pode demorar cerca de 30 a 60 minutos.

O resultado é esta paisagem, obtida no Campo da Senhora D’Agonia, em Viana do Castelo.